Fisioterapia em cães

Fisioterapia em cães
Fisioterapia em cães

Veterinária

17/12/2011

Um dos desafios na fisioterapia veterinária é o estímulo do paciente para que ele coopere com a terapia e faça movimentos voluntários ou ao menos o esforço para que este aconteça.

Devido a grande capacidade de adaptação dos cães e dependendo do temperamento do animal, muitas vezes estes se habituam à falta de apoio de um membro, a andar se arrastando ou a ficar no mesmo local. Além disso, os donos com a melhor das intenções tentam oferecer o máximo de conforto possível, levam água e comida, dão carinho e tudo isso em alguns casos realmente faz com que o cão não tenha grande interesse em se movimentar. Importante enfatizar que esse tipo de cuidado é correto e extremamente necessário, mas com a avaliação e auxílio de um profissional da área algumas atitudes podem ser tomadas para fazer com que exista uma motivação maior no cão para andar.

Um de nossos principais objetivos na reabilitação é buscar para cada paciente e situação formas de estímulo que façam com que ocorra além da estimulação por aparelhos e movimentos induzidos, uma colaboração voluntária em que o próprio animal tenta ou faz, mesmo que de forma ineficiente no inicio, movimentos que o levem a ter um retorno funcional da região acometida.

Com esta intenção adaptamos técnicas de treinamento, adestramento, e também técnicas conhecidas na fisioterapia humana para os animais, o importante em todos os casos é descobrir o que fazer para que o cão tenha vontade de realizar o movimento, em casos de atrofias, por exemplo, a dor estará presente no inicio da reutilização da musculatura e é necessário que se utilizem técnicas analgésicas prévias associadas a estímulos para que ocorra uma utilização voluntária do membro afetado.

Em casos de paralisias, a reeducação de postura, o treino de força e coordenação também são imprescindíveis para uma boa recuperação, e se não houver uma colaboração por parte do paciente, o retorno a função é muito mais lento. Na nossa experiência podemos dizer que nesse aspecto cães hiperativos tem uma resposta mais acelerada, pois fazem várias tentativas para levantar, enquanto aqueles mais acomodados necessitam de maior estímulo.

Pensando nisso, criamos alguns métodos para estimular os cães, utilizando uma escova de dente vibratória nas patas (foto no alto á esquerda), ocorre a ativação de sensores periféricos de tato e vibração, e se a escova for colocada entre os coxins da pata aciona-se o reflexo de retirada fazendo com que ocorra uma contração da musculatura do membro pélvico ("perna"). Funciona muito bem também no estímulo de articulações, e em geral os cães gostam e até relaxam.


Utilizamos também bolinhas de piscina para criança, em bacias para cães pequenos (foto abaixo na esquerda) ou na piscina em cães maiores, onde através de brincadeiras e petiscos, com o auxilio de sustentação das bolas fazemos com que cães com paresias e paralisias se interessem mais em ficar na posição em estação ("em pé").

Procuramos combinar terapias, como a eletroterapia e a bola (foto no alto a direita), massagens e alongamentos com estímulos induzidos por eletroterapia, técnicas com frio e calor, sempre com o objetivo de causar no paciente um treino não só para o corpo, mas também motivando sua mente a se movimentar, o que é conhecido como estimulo neuromotor.

Com relação ao comportamento dos cães, este é explorado de forma a promover interações e respostas desejadas, temos inclusive algumas cadelas treinadas para estimular outros animais (foto abaixo, á direita), com brincadeiras, sinais de submissão ou simplesmente se comportando de forma calma e controlada, fazendo com que o ambiente se torne seguro e facilitando a manipulação em cães ansiosos, medrosos e agressivos.

Estes são alguns exemplos de esforços que fazemos para ter a cooperação de nossos pacientes caninos, estamos sempre buscando adaptar o tratamento de forma individualizada e orientamos os proprietários de forma que em casa, os estímulos continuem, através de exercícios, brincadeiras e orientações na hora da alimentação e higiene.

Quando realizamos as terapias em equipe, sendo esta composta de fisioterapia, cuidados do veterinário clínico e/ou cirurgião e com a adesão dos donos, temos a certeza de conseguir o máximo de retorno funcional no menor período de tempo possível, promovendo a cura ou uma adaptação para que o companheiro da família possa ter qualidade de vida e interação em seu lar.

Fonte: https://sites.google.com/site/profissaomedicoveterinario/posts/fisioterapiaemcaes

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Felipe Silva Sento Sé

por Felipe Silva Sento Sé

Possui Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF (2011). Atualmente faz Mestrado em Ciência Animal na mesma Instituição (2012). Fez diversos Cursos Práticos e Teóricos nas áreas de Clínica Médica e Cirúrgica de Pequenos e Grandes Animais, além de Reprodução (Inseminação Artificial e Transferência de Embriões) e Nutrição Animal.

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