Complexo Respiratório dos Felinos

É causado por herpesvírus, calicivírus, clamidia e bactérias oportunistas
É causado por herpesvírus, calicivírus, clamidia e bactérias oportunistas

Veterinária

15/06/2014

O complexo respiratório dos felinos compreende doenças respiratórias que afetam narina, cavidade nasal, ossos turbinados, seio frontal, nasofaringe, orofaringe, laringe, traqueia e pulmões.


Os agentes causadores destas doenças podem ser virais (como Herpesvírus e Calicivírus) ou bacterianos (Chlamydophyta e oportunistas – Pasteurella e Mycoplasma). Um fato importante é que toda vez que temos uma doença respiratória, viral ou não, abre as portas para bactérias oportunistas.


Um lembrete: todo agente viral para causar doença precisa entrar em uma célula para se reproduzir, portanto um parasita obrigatório.


O Herpesvírus tipo 1 é o causador da rinotraqueíte viral dos gatos, descrito desta forma pelo local de multiplicação viral como sendo a mucosa nasal (rinite), traqueia (traqueíte) e algumas vezes a conjuntiva (conjuntivite).


A transmissão deste vírus ocorre via aerossol através de fômites ou contato direto, com incubação variável da doença no gato dependendo do status imunológico e faixa etária.


O vírus não sobrevive no ambiente por mais de 24 horas e é sensível a desinfetantes usuais, portanto para ocorrer a transmissão é necessário o contato entre o herpesvírus e os animais suscetívies.


Importante ressaltar que o herpesvírus tipo 1 pode estar latente no gato, mecanismo semelhante ao herpesvírus humano, portanto os animais tornam-se portadores assintomáticos crônicos, porém estes animais assintomáticos tornam-se transmissores da doença apenas quando estão manifestando sintomas.


A vacinação contra herpesvírus tipo 1 não protege 100% os gatos, porém minimiza os sintomas e curso da doença, evitando complicações e risco de desenvolver sequelas.


O Calicivírus tem a multiplicação viral na mucosa nasal e oral, conjuntivas e pulmões. Este vírus é o principal causador da gengivite-estomatite intratável, além de poder causar pneumonia intersticial e artralgia (dor articular).
Sabemos que o calicivírus pode ter sua manifestação sistêmica com curso fatal da doença, porém ainda não temos descrição no Brasil.


A transmissão do calicivírus ocorre via aerossol pelo contato direto e fômites como pelo herpesvírus tipo 1, porém o calicivírus não sobrevive no ambiente mais que 8 a 10 dias (em condições de temperatura e umidade adequada) e são sensíveis a desinfetantes comuns.


Um diferença entre o portador crônico do herpesvírus tipo 1 e do portador crônico do calicivírus está no fato do calicivírus continuar a ser eliminado mesmo por gatos sem sintomas, portanto transmite o vírus por um período indeterminado.

A vacinação contra calicivírus é importante e minimiza os sintomas, devendo vacinar os gatos que também já tiveram a doença.


O tratamento para herpesvírus e calicívirus é semelhante, o mais importante é o diagnóstico diferencial descartando criptococcose, tumores nasais, dentre outras.


Como agente bacteriano tem a clamídia, o local de multiplicação desta bactéria é na mucosa nasal e ocular. O principal problema é a conjuntivite unilateral e depois bilateral. A clamídia pode ser epidêmica causando aborto, mais comum quando afeta a fêmea durante a prenhez.


A transmissão da clamídia ocorre pelo contato direto entre o aerossol contaminado pela bactéria e o gato suscetível ou contato indireto pela transferência de secreções oculares. Esta bactéria é sensível a desinfetantes.


Muitas vezes a clamídia não está sozinha, vem acompanhada de herpesvírus e calicivírus, portanto o tratamento sistêmico é importante evitando sequelas de qualquer uma destas doenças no gato.


A vacinação é importante quando determinarmos a presença de problemas com clamídia, principalmente em animais expostos ao risco desta infecção, mesmo levando em consideração que a imunidade vacinal contra a clamídia é questionável.


Sabemos que muitas vezes estas doenças são consideradas importantes e frequentes em criatórios de gatos (gatis) e abrigos, porém uma forma de controle é a vacinação anual destes animais, isolamento de novos gatos e separação de animais doentes (também dos possíveis portadores).


Em abrigos temos uma grande rotatividade de novos animais e não sabemos o status imunológico deles ao serem resgatados, como muitas vezes a quantidade é grande o controle também torna-se complicado.


Em gatis ou criatórios de gatos, a prevenção é uma aliada através da vacinação e higiene do local onde estão os animais, o controle da quantidade de animais funciona como benefício (controle de animais para procriação e nascimentos programados). Lembrando que estamos considerando um criatório orientado e atendido periodicamente por veterinário.


Desta forma, a vacinação anual é muito importante em todos os casos destas doenças, principalmente para minimizar os sintomas e sequelas, porque mesmo com o tratamento destes animais podem tornar-se portadores e transmissores. A boa imunidade destes gatos em primeiro lugar.

Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Portal Educação.


Andrea Valete Machado

por Andrea Valete Machado

Andrea Valete Machado Graduação em Medicina Veterinária e Ciências Biológicas, Pós-graduação em Clínica Médica e Cirúrgica de Felinos, Pós-graduada em Clínica e Cirúrgia de Pequenos Animais e Mestrado em Ensino de Ciências.

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